O que a vacina da Pfizer nos ensina sobre análise de mRNA

Estudo sobre carotenoides em batatas
31 de março de 2026

O que a vacina da Pfizer nos ensina sobre análise de mRNA

Os oligonucleotídeos terapêuticos estão inaugurando uma nova era na medicina. Moléculas de DNA e RNA, como ASOs, siRNAs e o mRNA, permitem que os cientistas atuem diretamente na “receita” da vida, a expressão gênica, trazendo um nível de precisão cirúrgica no tratamento de doenças que antes eram incuráveis.

Mas, como garantir que essa “receita” genética chegou intacta e correta ao paciente?

 

O “gargalo” analítico

Diferente das moléculas pequenas (como a aspirina), os oligonucleotídeos são estruturas gigantes, altamente carregadas e extremamente sensíveis.

  • O problema do metal: O mRNA possui uma carga negativa tão forte que ele interage e “gruda” em metais comuns presentes nas colunas de cromatografia tradicionais.
  • O limite do sequenciamento: Embora técnicas como o NGS (Sequenciamento de Nova Geração) sejam poderosas, elas são lentas, caras e complexas demais para a rotina ágil de um controle de qualidade industrial.

 

A Proposta: “Impressão Digital” cromatográfica (fingerprinting)

Um estudo recente publicado no Journal of Chromatography Open (2025) apresentou uma solução revolucionária: uma plataforma de Cromatografia Líquida Bidimensional (2D-LC) que gera uma verdadeira “impressão digital” do mRNA.

Em vez de tentar ler a sequência inteira letra por letra de forma lenta, o sistema quebra o mRNA em fragmentos específicos (digestão por RNase T1) e os organiza em um mapa 2D de altíssima resolução. Isso permite:

  • Confirmar a identidade da substância de forma direta.
  • Detectar impurezas ou variantes estruturais mínimas.
  • Avaliar a integridade do lote com precisão

 

Estudo de caso: Raxtozinameran (Pfizer/BioNTech)

O estudo não ficou apenas na teoria. Ele utilizou o Raxtozinameran, o princípio ativo da vacina Comirnaty® contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech.

A tecnologia 2D-LC foi capaz de diferenciar o mRNA da vacina de outros modelos (como o eGFP) com clareza impressionante, focando em uma região crítica: a cauda polyA. Enquanto o eGFP tem uma cauda única e longa (~100-120 nucleotídeos), o Raxtozinameran possui uma cauda estrategicamente “dividida” (fragmentos de 30 e 70 nucleotídeos), algo essencial para sua eficácia, que pôde ser visualizado nitidamente no mapa cromatográfico.

 

O diferencial tecnológico: coluna YMC Accura BioPro IEX QF

O sucesso dessa análise dependeu de um componente essencial na primeira dimensão: a coluna YMC Accura BioPro IEX QF. Por que ela foi a escolha dos pesquisadores?

  1. Hardware bioinerte: Graças ao seu revestimento bioinerte, a coluna elimina as interações indesejadas com íons metálicos, garantindo que o mRNA não se degrade nem se perca durante a análise.
  2. Modo IPAX com TMAC: Ao utilizar o reagente TMAC em vez de sal comum (NaCl), a coluna YMC separa os fragmentos rigorosamente. Isso “estica” os picos no gráfico, preenchendo melhor o espaço analítico (31% de uso contra apenas 22% do método tradicional). A técnica de IPAX também pode ser associada a parâmetros mais brandos de trabalho, incluindo pHs mais próximos da neutralidade e temperaturas mais próximas a 40 ºC, o que reduz o risco de deterioração de amostras deste tipo.
  3. Melhora da performance: O uso dessa coluna resultou em uma capacidade de pico significativamente maior, permitindo separar fragmentos que antes ficariam “escondidos” uns sobre os outros.

 

À medida que as terapias gênicas avançam, o controle de qualidade precisa acompanhar essa evolução. O uso da cromatografia bidimensional aliada a colunas de alta tecnologia, como a YMC Accura BioPro IEX QF, não é mais apenas uma tendência acadêmica, mas uma necessidade estratégica para garantir a segurança e eficácia dos bioprodutos do futuro.

 

Na Verde Analítica, trazemos o que há de mais moderno em hardware e ciência de separação para transformar seus desafios analíticos em resultados confiáveis.

 

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Referências

CARSTENSEN, Niklas; KARONGO, Ryan; MENGEL, Anne; LÄMMERHOFER, Michael. Full comprehensive ion-pair-mediated anion exchange chromatography x ion-pair reversed-phase liquid chromatography fingerprinting of digested messenger ribonucleic acid drug substances. Journal of Chromatography Open, [s. l.], v. 8, 100271, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jcoa.2025.100271.